Obrigações


O que é uma Obrigação?

As obrigações são títulos representativos de um empréstimo contraído pelo emitente da obrigação (tipicamente uma empresa, entidade publica ou um estado soberano), os quais podem ser subscritos pelos investidores em parcelas (valor nominal) do valor total do empréstimo. As obrigações constituem um activo para os investidores (recebem juros) e um passivo para o emitente (implicando um custo de financiamento). Conferindo um direito preferencial no reembolso relativamente às acções. Em caso de falência ou liquidação, o direito de reembolso do obrigacionista prevalece sobre o do acionista.

Um empréstimo obrigacionista é uma forma de financiamento na qual as entidades emitentes (empresas, entidade publica ou um estado soberano) optam por emitir obrigações, permitindo ao investidor a participação directa na concessão de crédito através de um empréstimo.

Os investidores recebem um retorno fixo ou variável através de pagamentos, normalmente anuais ou semestrais, de juros (cupão) e a devolução do valor nominal em dívida na maturidade. O rendimento em juros e a devolução do valor nominal (valor facial do título, sendo sobre este mesmo valor que incide a taxa de remuneração do empréstimo) em dívida, constitui, em geral, a razão principal para a decisão de investimento. O rendimento até à maturidade, denomina-se Yield to Maturity (YTM).

O valor nominal das obrigações é designado por Par, sendo que o valor de subscrição ou preço de emissão (valor pelo qual as obrigações são adquiridas em mercado primário) pode ser diferente do valor nominal. Se as condições do empréstimo obrigacionista forem atractivas para o mercado, o emitente pode decidir vendê-las acima do valor nominal, dizendo-se que as obrigações foram emitidas acima do Par. Inversamente, empréstimos obrigacionistas emitidos a um valor inferior ao valor nominal, diz-se que as obrigações foram emitidas abaixo do Par.

Exemplo:

  • O investidor X adquiriu uma obrigação com maturidade de 5 anos, com cupão de 4,65% e com preço de emissão de 95% (abaixo do par);
  • Desembolsando hoje 95% do valor nominal e receberá na maturidade 100% (mais-valia efectiva de (100% - 95%) / 95% = 5,26% do montante inicialmente investido);
  • Recebendo anualmente até a maturidade (5 anos) o rendimento dos cupões de 4,65% sobre o valor nominal (não sobre o valor investido).

O Obrigacionista (comprador), poderá proceder à sua venda a qualquer momento sendo que o preço será definido como uma percentagem do valor nominal. Caso o valor seja superior a 100% significa que o investidor estará a vender acima do par (acima do valor nominal ou a prémio), caso seja inferior a 100% significa que o investidor está a vender abaixo do par (abaixo do valor nominal, ou a desconto). Assumindo que o comprador da obrigação fica com a mesma até à maturidade, a rentabilidade do seu investimento será composta pela soma do valor dos cupões e pela diferença entre o preço de compra e o valor nominal a ser reembolsado no final do empréstimo obrigacionista.

 

Características das Obrigações:

  • Emitente: entidade que pede o empréstimo através da emissão de um empréstimo obrigacionista;
  • Moeda de Denominação: moeda em que o empréstimo obrigacionista é emitido, podendo ser uma moeda diferente a do país onde o emitente reside. 
  • Valor Nominal (VN): Valor facial do título, sendo sobre o mesmo que incide a taxa de remuneração do empréstimo.
  • Preço de Emissão ou Valor de Subscrição: Valor pelo qual as obrigações são adquiridas em mercado primário.
  • Pe (preço de emissão) < VN, emissão abaixo do Par;
    Pe (preço de emissão) = VN, emissão ao Par;
    Pe (preço de emissão) > VN, emissão acima do Par.
  • Valor do Reembolso: Valor correspondente amortização das obrigações (fim do empréstimo obrigacionista).
  • Prazo – Período de tempo do empréstimo obrigacionista, ou seja, tempo que medeia entre a emissão e o seu reembolso (maturidade do empréstimo).
  • Taxa de Juro (taxa de cupão): Taxa de juro aplicada ao valor nominal da obrigação, dando origem ao valor do juro periódico. Sendo que a taxa de juro pode ser Taxa Fixa, em que a taxa de juro se mantém inalterada durante a maturidade da obrigação ou Taxa Variável (ex. taxa de juro (1,5%) indexada a Euribor 3m, sendo o cupão conhecido à partida mas dependendo do valor da Taxa Euribor 3m), em que a taxa de juro pode variar durante a maturidade da obrigação.
  • Mais-Valia: consiste na diferença entre o preço de venda ou reembolso e o preço de aquisição ou subscrição da obrigação.

Risco:

Risco de Liquidez: As obrigações são valores mobiliários negociáveis, a sua liquidez realiza-se por via de transacção em mercado secundário. Não podendo a Dif Broker garantir a qualquer momento, um preço de venda.

Risco do Emitente: Ao comprar obrigações receberá o juro associado ao cupão nas datas indicadas na ficha técnica. Na maturidade, receberá o último cupão mais valor nominal da obrigação (definido no momento da emissão do empréstimo obrigacionista). No entanto existe o risco de o emitente em questão incumprir, não pagando o cupão e/ou não devolvendo o valor nominal. Neste caso, o que naturalmente deverá acontecer será o desenrolar do processo de falência do emitente em questão. O principal risco do investimento em obrigações para os investidores que pretendem manter a obrigação até à maturidade reside na possibilidade de incumprimento das entidades que emitem o empréstimo obrigacionista tendo o investidor que aferir sobre a probabilidade de tal evento acontecer para definir o grau de risco que atribui ao investimento.

Risco de Taxa de Juro: Em alturas de grande volatilidade das taxas de juro do mercado, as obrigações de taxa fixa tendem a ser menos seguras do que as obrigações de taxa variável. Se as taxas de juro do mercado subirem, uma obrigação de taxa fixa perde valor porque a remuneração poderá ficar aquém daquilo que o mercado exige. Nas obrigações de taxa variável há que ter atenção a taxa que está indexada porque nem todos os indexantes acompanham da mesma forma a evolução das taxas do mercado. 

Risco de Mercado: Possibilidade de variações nos preços no mercado secundário deste tipo de instrumentos financeiros devido a percepção dos investidores do risco do emitente ou em oscilações significativas das taxas de juro de mercado.